No outro dia, reparei na minha sobrinha mais velha enquanto via televisão. Estava especada a olhar, completamente atenta. O mais estranho é que não via qualquer programa ou desenho animado. Estava "apenas" a ver anúncios. Todos os Natais, somos bombardeados com inúmeros anúncios de brinquedos e afins. A minha sobrinha, como qualquer criança, já fez a lista dos presentes.
Vem isto a propósito do tio dela. Eu. Ando muito preocupado com o meu materialismo.
Nos últimos tempos, ando obcecado com PDA. Não sei muito bem para quê, mas embirrei que preciso de um. Com sorte, até tenho quem me venda um dos melhores por metade do preço. Mas pergunto-me sempre? Para que raio preciso de um PDA? Vou enviar algum mail? Não. Vou utilizar a internet? Não. É prático? Não. Pior.. preciso dele? Não! Mas gostava de ter um e fico lixado quando vejo alguém brincar com o aparelho à minha frente. Dou comigo a arranjar argumentos absurdos para justificar o investimento. "É bom para organizar contactos e para calendarização". Compra uma agenda! Até fui a casa do meu irmão ver se ele me emprestava o dele. Azar dos azares, começou a utilizá-lo.
Na semana passada, passou-me a vontade do PDA e dei comigo a pensar em outra raquete. A Yonex RDS001, utilizada pelo David Nalbandian. De facto, já joguei com ela e é estupenda. Custa 200 euros? E depois?! Já tenho uma e o sou tão básico que não preciso de duas? E então?
Durante o fim de semana, passou-me a raquete e dei comigo a desejar uma máquina fotográfica digital. Comecei-me a imaginar a tirar fotografias a tudo.
Hoje, a máquina passou-me e voltaram os telemóveis. Alguém teve a brilhante ideia de colocar o Nokia N73 a 200 euros e tremi todo. Até fui à loja do TMN ver se havia alguma forma (nem que fosse um vazio legal) de trocar o meu 6233 pelo N73. Não há. Grandes cabrões. Por acaso, nem preciso de trocar de equipamento, pois o meu Nokia 6233, além de estar em perfeitas condições e de ser um telefone fabuloso, tem pouco mais de um ano. Então, cheguei a ponderar comprar o N73 através da Vodafone e sustentar dois telemóveis, até para não gastar tanto dinheiro. Ah! Entretanto, comprei um computador portátil, mas isso até foi um bom investimento e muito jeito me dá.
Tudo isto começou há uns anos, mas tomou proporções maiores a partir do momento em que comecei a trabalhar, talvez por já ter o meu dinheiro. Sem ser coincidência nenhuma, também piorou assim que fiquei sozinho. Comecei a gastar dinheiro em roupas, algumas caras (um blazer de 50 contos?!), nums óculos de sol, em perfumes, etc. Até comprei um cachecol Hugo Boss em Amesterdão. Caríssimo.
Um ano depois, foi-se o desejo de roupa e chegaram as novas tecnologias. Uma amiga minha (sempre as gajas) avisou-me: "Não precisas de outro telemóvel e não é isso que te vai fazer feliz". Porque raio ando pior do que a minha sobrinha a ver anúncios? Será que, de facto, somos materialistas para colmatar algumas carências mais primitivas, sobretudo afectivas? Não encontro outra explicação. Mas lá o que o N73 é giro, lá isso é...
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